Investimento Social Privado teve queda de 13% em 2018, aponta a nova edição do BISC


Um dos principais estudos na área de investimento social corporativo teve sua 12º edição lançada. Desde 2017, o Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC) traça um panorama do setor e apresenta, anualmente, o perfil do investimento social brasileiro.

A pesquisa, que é uma iniciativa do Comunitas, trouxe duas novidades esse ano: uma investigação sobre a relação do investimento social e direitos humanos e o lançamento de uma plataforma digital para apresentação dos resultados.

Conheça os principais destaques do relatório, que nesta edição entrevistou 254 empresas e 17 institutos e fundações empresariais.

Queda no volume de Investimentos Sociais

De acordo com o relatório, as empresas entrevistadas investiram R$ 2,1bilhões em 2018, o que representa uma queda de 13% em relação ao ano anterior. A redução no valor total dos investimentos pode ter sido reflexo do cenário econômico vivenciado no país.  Apesar da redução, o patamar se manteve estável, na casa dos R$ 2 bilhões.

Vale destacar que 36% das empresas afirmaram que ampliaram seus investimentos em 2018. Porém, essa expansão não foi capaz de compensar a queda nos investimentos, de forma geral.

Incentivo Fiscal segue sendo a exceção

Apenas 21% dos recursos investidos pelos entrevistados foi oriundo de incentivos fiscais. Em 2018, R$ 453 milhões foram repassados via leis de incentivo, uma queda de 14% em relação ao ano anterior.

De acordo com o estudo, este tipo de investimento apresenta oscilações desde a criação do BISC, uma vez que esta modalidade ainda não foi capaz de compensar as quedas de aportes via recursos próprios. Porém, o BISC aponta que os resultados de 2018 também podem possuir relação com o panorama econômico brasileiro.

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Foco na Educação

Por mais um ano, a educação se mantem como a área de interesse de boa parte das empresas entrevistadas, sobretudo daquelas do setor de serviços, uma vez que 63% delas afirmaram ter investido em projetos educacionais.

Já no setor industrial, esse índice é significativamente menor (8%). Neste setor a distribuição dos recursos é mais diversificada, destacando-se as áreas de arte/cultura (21%) e geração de trabalho e renda (18%).

Alinhamento com o negócio importa

O BISC aponta uma tendência na importância da sintonia dos projetos apoiados com o negócio da empresa: 75% das empresas e 63% dos institutos destinaram mais da metade dos seus investimentos sociais para projetos alinhados.

Em uma análise comparativa entre os anos de 2015 e 2018, tanto empresas como institutos estão se concentrando em auxiliar na condução e adequação dos conteúdos dos projetos já em curso para as potencialidades do negócio e core-business das empresas.

Investimento Social e Direitos Humanos            

Tratado com mais profundidade nesta edição do BISC, o tema Direitos Humanos mostrou estar na pauta de muitos investidores sociais, sobretudo na área estratégica da gestão dos negócios.

De acordo com o estudo, dois terços das empresas possui um compromisso formal com essa temática, e 73% relataram que utilizam os Princípios do Pacto Global e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável como referência para a gestão da sua agenda de responsabilidade socioambiental. Um reflexo desse dado é que 62% das empresas e 88% dos institutos já aderiram aos ODS e, nenhum dos respondentes declara não ter interesse nessa agenda global.

Ainda que a temática dos Direitos Humanos esteja mais consolidada na política interna para a condução dos negócios do que no investimento social das empresas, a pesquisa aponta congruências nos projetos sociais apoiados e nos objetivos estratégicos do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNH-3).  No entanto ainda há espaço para o fortalecimento de algumas temáticas, uma vez que menos de 40% das empresas apoiam iniciativas de:

  • Promoção e valorização da pessoa idosa,
  • Promoção e fortalecimento da agricultura familiar/ agroecologia
  • Ampliação de materiais pedagógico para promoção dos direitos humanos
  • Defesa de direitos da população negra e indígena
  • Redução da violência motivada por diferenças de gênero, raça ou etnia, idade, orientação sexual e situação de vulnerabilidade
  • Garantia a atendimento a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, ou pessoas em situação de dependência química

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Atuação Voluntaria x Atuação Compulsória

Dois terços das empresas entrevistadas aportaram recursos em caráter compulsório, ou seja, por meio de obrigações legais.  As principais áreas privilegiadas neste tipo de investimento são defesa de direitos humanos e bem-estar da comunidade.

O BISC comparou os dados de 2018 com os anos anteriores e constatou que os recursos que essa modalidade repassou sempre se equiparou ou ultrapassou àqueles ofertados de forma voluntária. No entanto, em 2018 houve uma pequena redução de 2% em relação à 2017.

Voluntariado Corporativo

Considerando as últimas duas edições do BISC, houve um aumento de 15% no número de colaboradores envolvidos em programas de voluntariado corporativo. De acordo com o BISC, o valor investido pelas empresas em programas de voluntariado subiu em 12% chegando aos R$ 11,6 milhões.

A percepção de sucesso com as iniciativas de voluntariado também progrediu: subiu de 9% para 33%. O relatório aponta a relação entre as temáticas de preferência dos voluntários com o perfil de atuação das empresas.

Relações Intersetoriais

A articulação entre o ambiente empresarial e o Primeiro e Terceiro setor é bom, mas já foi melhor. De acordo com o BISC, 64% das empresas possuem articulação com organizações governamentais para o desenvolvimento de seus investimentos sociais, o menor percentual nos 12 anos de BISC. No entanto, a percepção de contribuição das empresas com o setor público se fortalece, uma vez que 100% dos entrevistados compartilham dessa concepção. Há oito anos, esse índice era de 79%.

Dentre as iniciativas de colaboração, destaca-se também a definição de uma agenda de prioridades e elaboração dos planos de ação ou de projetos sociais, ambas foram apontadas por 90% dos entrevistados.

Já em relação as ONGs, no último ano as empresas entrevistadas apoiaram um total de 828 organizações sem fins lucrativos e aportaram para elas cerca de R$ 232 milhões.

Comparando o período entre 2011 e 2018 observou-se uma tendência de redução tanto no número de ONGs apoiadas como no volume de recursos aportados. Nesse período houve uma queda nos repasses superiores a R$140 mil e um aumento nos aportes até R$ 40 mil.

Nos últimos dois anos (2016 – 2018), as empresas privilegiaram apoiar ONGs com atividades alinhadas aos negócios, enquanto os institutos priorizaram parcerias com instituições de referência em sua área de atuação.

Neste período, o BISC destaca que a mudança mais significativa nessa relação entre empresa e Terceiro Setor se dá no tipo de parceria firmada, com a ampliação de parcerias com iniciativas no campo do desenvolvimento comunitário, da geração de renda e de melhorias relacionadas à infraestrutura e com redução do apoio a atividades da área da cultura e assistência social.

Otimismo para o futuro

O BISC aponta que, ainda que alguns indicadores importantes (como volume de recursos repassados, por exemplo) tenham tido uma queda em 2018, 65% do grupo está prevendo ampliar ou manter o patamar dos investimentos para os próximos dois anos.

Confira os dados de destaque na íntegra na nova plataforma do BISC 2019.