Investimento Social e Recursos Humanos: como essas práticas estão relacionadas?


Desde que a Nexo foi criada, em 2011, já nos relacionamos com mais de 200 grupos empresariais de diferentes portes e regiões do país para discutir o tema de Investimento Social Privado (ISP)[1].

Nessas andanças, percebemos frequentemente que esse assunto é de responsabilidade ou tem grande interface com a área de Recursos Humanos. Criamos este artigo com o objetivo de mostrar como as práticas de responsabilidade social e a gestão de recursos humanos podem trabalhar juntas nas empresas, gerando importantes benefícios para o negócio e para a vida dos colaboradores.

Apresentamos a seguir alguns argumentos de como a área de Recursos Humanos pode se beneficiar do Investimento Social Privado (ISP) e algumas formas de potencializar essa atuação dentro da sua empresa.

As pessoas querem trabalhar em empresas com propósito

Vários estudos recentes mostram que as pessoas querem ter propósito em suas vidas e em suas carreiras. Utilizando um conceito apresentado em artigo da Endeavor sobre o tema, propósito “é saber onde se quer chegar – e, sobretudo, dispor da energia necessária para enfrentar a trajetória, que certamente não será fácil”.

As novas gerações que chegam ao mercado de trabalho querem trabalhar com o que gostam e em empresas que não estão preocupadas somente com o seu resultado financeiro. Inclusive, é crescente o número de pessoas que hoje estão saindo do mercado corporativo tradicional e optando por empreender ou trabalhar com negócios de impacto ou no Terceiro Setor.

Diante desse cenário, o profissional de Recursos Humanos tem o desafio de levar para dentro das corporações o tema do propósito como forma de reter talentos – e o investimento social pode contribuir decisivamente para isso.

O investimento social envolve o repasse de recursos, não só financeiros, para iniciativas sociais, mas também de recursos humanos, técnicos e gerenciais. Nesse contexto, o papel do voluntariado corporativo é um dos aspectos que ganha relevância.

Para além de iniciativas mais pontuais como a doação de alimentos e roupas pelos colaboradores (que muitas vezes são os primeiros passos que as empresas dão nesse campo), tem surgido iniciativas interessantes nesse campo, em que as corporações incentivam seus funcionários a utilizarem suas competências para apoiar o desenvolvimento e resolver problemas reais de organizações sociais.

Alguns exemplos são a plataforma online Atados, que disponibiliza uma série de oportunidades de voluntariado e apoia empresas nas suas iniciativas, e os programas de Pro Bono da Phomenta, que ajuda empresas a conectar as competências dos seus colaboradores com desafios reais das organizações sociais.

A área de Recursos Humanos como embaixadora do ISP nas empresas

É muito comum observar nas empresas que o tema do Investimento Social Privado é introduzido e gerenciado pela área de Recursos Humanos.

Não se trata aqui de uma defesa desse modelo – uma vez que podem ser criadas, por exemplo, áreas específicas de Responsabilidade Social ou mesmo Institutos para dar foco a esse assunto -, mas de uma observação prática do que acontece em algumas grandes empresas.

Existem modelos que hoje aproximam as práticas de Recursos Humanos e de Investimento Social. Listamos algumas delas a seguir:

  • Indicação de projetos pelos próprios funcionários: empresas como a Cyrela e o Banco do Brasil estimulam que seus colaboradores indiquem projetos de sua confiança para que possam investir e que sejam embaixadores junto aos projetos para acompanhar os resultados e apoiá-los em outros aspectos.
  • Criação de programas de doação pelos funcionários e colaboradores utilizando incentivos fiscais: a ArcelorMittal é uma das empresas que estimula que seus colaboradores destinem parte do seu imposto de renda para projetos culturais e esportivos, inclusive criando condições para facilitar esse tipo de doação. A Unimed Belo Horizonte tem um programa em que mais de 4,5 mil médicos cooperados e colaboradores destinam cerca de R$ 10 milhões por ano para patrocínios culturais.
  • Influenciar processos de compras dentro das empresas a partir de critérios sustentáveis: a área de Recursos Humanos pode influenciar as áreas de Compras a contratar uma empresa que produz uniformes sustentáveis produzidos por ex-detentos.

O ISP como instrumento de introdução de novas agendas (diversidade, igualdade de gênero, etc)

Cada vez mais o mundo corporativo tem se atentado sobre a necessidade de incluir novas agendas em sua pauta, que antes eram pouco discutidas (para não dizer negligenciadas), como a questão da diversidade racial e sexual e da igualdade de gêneros dentro das empresas.

O investimento social tem se mostrado parte importante dessa estratégia para o mundo corporativo se aproximar e discutir essas temáticas. O Instituto Avon, em parceria com o Fundo Elas, tem patrocinado o edital “Fale Sem Medo”, que busca combater a violência contra a mulher, e o Itaú Unibanco, em 2018, aderiu ao Fórum de Empresas e Direitos LGBT e lançou o edital LGBT+ Orgulho, uma iniciativa que correu em paralelo com iniciativas internas ligadas à diversidade.

Para entender mais sobre Investimento Social no Brasil

Se chegou até aqui e faz parte da área de Recursos Humanos da sua empresa, apresentamos ao final deste artigo uma série de links para leituras complementares que podem te ajudar a entender melhor sobre o tema de Investimento Social Privado. Esperamos que você possa ser um embaixador desse assunto dentro da sua empresa.

Se você não é da área de Recursos Humanos, esperamos que esse texto tenha proporcionado algumas ideias para ser parceiro dessa área na sua empresa – inclusive para fortalecer ainda mais a pauta do Investimento Social junto aos demais colaboradores.

       

Sobre o cenário de investimento social

– Relatório sobre o cenário da filantropia no Brasil (Maio de 2018): acesse aqui

– Censo GIFE 2016 (pesquisa bianual realizada com os associados do GIFE para entender como os recursos são investidos na área social): acesse aqui

– BISC – Benchmarking do Investimento Social Corporativo (pesquisa anual realizada pela organização Comunitas com empresas que investem na área social): acesse aqui

– Inova Social – Portal de notícias sobre investimento social: acesse aqui

Sobre negócios de impacto

– Aliança pelos Investimento e Negócios de Impacto (antiga Força Tarefa de Finanças Sociais) – para entender sobre Negócios de Impacto: acesse aqui

– Pipe.Social – mapa de negócios de impacto no Brasil: acesse aqui

Sobre incentivos fiscais

– Manual do Patrocinador: acesse aqui

– Nexo Investimento Social (consultoria especializada no tema): acesse aqui

Sobre voluntariado

– Plataforma Atados – oportunidades abertas de voluntariado e consultoria no tema: acesse aqui.


[1] Embora nem sempre receba formalmente esse nome dentro das empresas, o investimento social “é o repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para projetos sociais, ambientais, culturais e científicas de interesse público”. Esse é o conceito criado pelo GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), entidade que reúne hoje mais de 140 organizações que investem recursos no campo social no Brasil.

Ou seja, estamos falando da atuação social das empresas (e seus institutos e fundações, em alguns casos) e da forma como repassam seus recursos financeiros e não-financeiros para iniciativas de cunho social e de interesse público. O investimento social se enquadra, em muitos casos, nas estratégias de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade.

A base deste artigo foi originalmente publicada na plataforma PortalisRH, uma intranet para profissionais de Recursos Humanos. Publicamos no blog da Nexo com as devidas atualizações